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Terça-feira, 10 de Abril de 2007

A DOENÇA BIPOLAR OU MANÍACO-DEPRESSIVA

 

“Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas

que escapam a quem sonha só de noite.”

Edgar Allan Poe

 

 

Os doentes bipolares viajam, constantemente, do céu ao inferno. Dois pólos, uma vida inconstante e insegura, de extremos emocionais... Em pouco tempo vão do auge da euforia à mais profunda depressão. Por vezes, vão do riso ao choro, quase ao mesmo tempo. Prevê-se que serão cerca de 120 mil portugueses que se revelarão maníaco-depressivos, ou seja, 2% da população adulta.

É uma doença pérfida que não escolhe idades ou sexos, que se encontra escondida durante décadas em indivíduos saudáveis, esperando pelo momento para se revelar. Caracteriza-se por variações acentuadas de ânimo, crises de depressão e mania. Surge em qualquer altura da vida, nas mulheres pode surgir após o parto ou durante a menopausa.

O doente sente-se no início com uma enorme capacidade cerebral e física, não tomando consciência da doença. Os sintomas de mania ou euforia são um humor elevado, com a diminuição da necessidade de dormir, sentindo-se cheios de energia, com o raciocínio acelerado, faladores, autoconfiantes, criativos e até sentindo um aumento na capacidade de trabalho.

A mania provoca excitação/hiperactividade, pensamentos rápidos e desadequados, extravagâncias monetárias excessivas, desinibição, delírios e dificuldades de concentração. Normalmente, por noite, nestes casos, três ou quatro horas de sono bastam até que alcançam o clímax da euforia e do exagero, entram em hipomania, sem acreditarem na doença, achando que o engano é médico. Quando estão em euforia querem brilhar e só na fase depressiva e em queda é que aceitam a doença.

Os sintomas de depressão são uma diminuição do estado de ânimo, cansaço e ansiedade, excesso ou falta de apetite, padrões de sono alterados, lentidão nos pensamentos, maior dificuldade em decidir, auto-desvalorização, sujo sentimento de desespero e de culpa. Nesta fase, existem características que se assemelham às de mania que são a ruptura com a realidade e o delírio. Nesta fase, ouvem vozes, perdem a noção temporal e espacial, até que acabam por ser internados.

Existem medicamentos para estabilizar o humor do doente, uns para controlar a euforia e outros a depressão, actuando ambos ao nível dos neurónios e tendo por base o lítio ou o valproato de sódio (químicos).

 

 

 

 

Uma doença imprevisível, sendo vivida de formas diferentes por cada doente, ainda não sendo bem explicada pela Medicina, apesar de se saber que está relacionada com tendências genéticas, perturbações bioquímicas do cérebro e mudanças hormonais, mas não sofre qualquer influência afectiva. As causas exactas são, até hoje, desconhecidas, mas é uma doença que se sabe ter duas estações do ano, a Primavera e o Verão, épocas em que os bipolares entram em descompensação, embora ainda sem explicação científica.

O doente pode chegar a uma fase de adaptação, com reconstrução da sua vida e com o apoio familiar e social, mas a sociedade nem sempre sabe lidar com esta doença, faltando a sensibilidade necessária à compreensão desta doença mental.

Entre os bipolares famosos destacam-se nomes como os de Sting, Peter Gabriel, Edgar Allan Poe (celebrizou-se com os seus contos de terror psicológico), Ernest Hemingway, Antero de Quental (suicida-se com 50 anos), Florbela Espanca (suicida-se com 37 anos), Victor Hugo (autor de os Miseráveis), Tolstoi (escreveu Guerra e Paz), Virginia Woolf (suicidou-se com 26 anos, depois de uma vida atormentada pela doença), etc...

 

"A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata."

Virgínia Woolf

 

 

publicado por Dreamfinder às 21:44

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